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Guerra Junqueiro
1850/
1923
É o mais típico
representante da chamada Escola Nova.
Poeta panfletário, as suas poesias ajudaram a
criar o ambiente revolucionário que conduzirá
à República. Talvez o poeta mais popular da
sua época, embora hoje se lhe reconheçam
contradições e efeitos fáceis. Mas não deve
esquecer-se o que há de original e poderoso na
sua obra: o extraordinário sentido de
caricatura, uma capacidade quase primitiva de
exprimir as idéias em símbolos vivos e, ainda,
a riqueza verbal e de imagens com que contribuiu
para a renovação do verso português.
Não
é fácil falar de Guerra Junqueiro. Não porque
dele não haja que dizer, mas, ao contrário,
porque dele há muito que dizer.
Têm
sido variadas as considerações que se têm
tecido a seu respeito, da sua vida quanto da sua
obra, em verso principalmente. Talvez isto se
deva a circunstâncias muito reais: de caráter pessoal, uma, a riqueza da sua personalidade
aliada à grandeza da sua poesia; de caráter circunstancial, outra, a época em que viveu,
com toda a sortida gama das suas variantes.
Às
vezes, nós não somos só nós, mas nós e as
nossas circunstâncias, nós e a época em que
vivemos. Junqueiro entusiasmou-se com a época
em que viveu, assumiu-a em pleno e com ela se
identificou.
Balzac
dizia que « é um sinal de mediocridade ser-se
incapaz de entusiasmo ». Junqueiro não queria
ser medíocre. « com jamais se faz algo de
grande sem entusiasmo », no dizer Emerson,
Junqueiro vive os problemas que o rodeiam,
envolve-se neles e luta.
Assim
terá sido a vida de Gerra Junqueiro.
Com
as todas dificuldades que o assunto comporta,
falemos de Guerra Junqueiro: do homem, do grande
poeta que foi, de infatigável e acérri mo
lutador político, do «« ateu » sui generis
», fixando-nos, de preferencia, sobre a sua
faceta religiosa, por ventura, uma das mais
apontadas e discutidas características
junqueirianas, dado o acentuando tom de
anticlericalismo da época em que viveu.
Em
1850, numa pacata vila de Trás-os-Montes,
Freixo de Espada à Cinta, sobranceira ao rio
douro, com Espanha a acenar-lhe, em frente,
nasceu Abílio Guerra Junqueiro. Diga-se, de
passagem, que seus pais o educaram
religiosamente, o que, muito naturalmente e até
sem se dar conta, por ventura, havia de
condicionar e até determinar uma boa parte da
sua obra poética.
Aos
16 anos, matriculou-se na faculdade de Teologia,
na universidade de Coimbra. Pensaria, então, Abílio
Guerra Junqueiro ser um padre de Igreja Católica.
Desistindo
deste curso, matriculou-se, uns dois anos
depois, em direito, vindo a concluir a sua
licenciatura, em 1873.
Inicia
Guerra Junqueiro a sua Carreira literária,
duma maneira altamente promissora, em « folha
», jornal literário, da direcção de João
Penha. Aqui cria ótimas relações de amizade
com alguns dos melhores escritores e poetas do
seu tempo.( ... )
Foi
em Lisboa, na madrugada de 7 de Julho de 1923.
Na
véspera, haviam chamado o Santo padre Cruz para
lhe ministrar os últimos sacramentos da igreja
católica, pois, segundo pedido do próprio
Guerra Junqueiro, antes queria um Santo que um
Teólogo. O padre Cruz já não chegara a tempo.
Guerra
Junqueiro foi um grande poeta e um grande
peregrino.
Obras Principais
Pátria
Finis Patrie
Musa em Férias
Os Simples
A Velhice do Padre Eterno
Horas de Combate
A Morte de D. João
Biografia Autorizada
por: A. Pereira
Bragança
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