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Eis
a Questão
Fátima Irene Pinto
Há
pessoas que nos libertam...
há outras que nos aprisionam e
asfixiam.
Há pessoas capazes de extrair de nós o
que há de melhor e mais bonito...
há outras que colocam em evidência
toda a nossa imperfeição.
Há pessoas que nos tomam pela mão e
nos conduzem...
há outras que nos empurram para o
abismo da desorientação.
Há pessoas que semeiam flores de
esperança e luz...
há outras que vão colocando espinhos
na nossa cruz.
Há pessoas que nos injetam vida,
otimismo, confiança...
há outras que aniquilam nosso equilíbrio
e temperança.
Há pessoas que nos fazem multiplicar
nossos poucos talentos...
há outras que nos fazem enterrar os
poucos que supúnhamos ter.
Há pessoas que são balsâmicas em
nossas vidas...
há outras que tornam completamente inócua
a nossa lida.
Há pessoas que nos estruturam e nos
levantam...
há outras que nos fragmentam e nos
desmontam.
Assim posto, até onde o destino o
permitir,
que possamos ficar longe daqueles que
nos são corrosivos,
e que possamos ficar perto daqueles que
nos são benfazejos.
Mas às vezes, por uma destas razões
incompreensíveis da natureza humana,
descobrimos com espanto que há
pessoas que simultaneamente nos elevam e
nos abatem... nos levantam e nos
derrubam...
nos apedrejam e deitam bálsamo nas
nossas feridas.
E, mais perplexos ainda ficamos, quando
constatamos que por um capricho
da Criação, ou quem sabe, da nossa mísera
condição,
não somos vítimas passivas deste
processo, e que vivendo e interagindo,
vamos nós também distribuindo (querendo
ou não querendo) alegrias e dores, mágoas
e alentos, luz e escuridão... Como se
dançássemos em perfeita simetria
Ou como se contracenássemos em perfeita
sintonia com os nossos
"balsâmicos algozes".
Tal é a humana condição... eis a
questão! |