Lêda Mello



 

Volto no tempo.
Nosso último encontro.
Olho para ti.
Recordo quando te conheci.
Os anos passaram...
Quantos?
Uma eternidade, se contados pelo meu amor.
Sem pressa, esquadrinho o teu rosto
E percebo, com ternura,
As marcas,
Que o tempo gravou em tua face.


Alguns vincos a mais,
Sulcando esse rosto ainda querido.
Nuvens de indiferença,
Toldam teu olhar opalescente.
Uma certa amargura contida,
Nesse teu sorriso de menino.
Emoldurados
Por uma auréola de perplexidade
Diante da vida.


Viajo para dentro de ti.
A pérola inculta.
Os anos passaram...
Quantos?
Uma vida, se contados pelo teu desamor.
E percebo, com melancolia,
Que o tempo nada gravou em tua alma.


Teu rosto e tua alma...
Teu rosto mostrando os sinais do tempo.
Tua alma dormindo no passado.
Contrastes que te impuseste.
Retrato das tuas escolhas
De permaneceres fechado
No círculo invisível da tua decisão
De não te entregares à vida,
De não te entregares ao amor,
De não te entregares.


Olhando-te nos olhos,
Sinto a distância que nos separa.
Por causa deste amor,
Sonhei, sorri, chorei...
Caminhei, cresci.
E tu, perdido nas divagações
Das decisões estéreis,
Permaneceste estático,
Exatamente,
Onde te encontrei pela primeira vez.


Torno ao presente.
Procuro e não encontro
A doçura dorida
Da minha saudade de ti,
Um lampejo da antiga chama
Do meu desejo de ti.
Minha alma não ecoa na tua:
O encanto acabou.
Meu corpo não responde ao teu:
É fogo morto.
Constato, com uma certa nostalgia:
Mais que uma amante.
Perdeste um amor.


É hora de ir.
Seguir meu caminho,
Liberta de ti.

14.07.2003

                     


 




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Editada em: 15/07/2003