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Deletar
o Amor
Lêda Mello
Uma noite qualquer, de
uma data qualquer...
Estes momentos estão
fora do tempo!
Há um amor para deletar
do coração,
protocolar no arquivo
morto na história da
vida.
Retiramos do baú todas
as cartas de amor,
os bilhetinhos
apressados,
os poemas enamorados.
Há uma necessidade quase
mórbida
de voltar a um tempo
onde estão guardados
todas os sonhos,
esperanças, alegrias
os momentos de enlevo e
de entregas de amor.
A dor nos pede urgência
em apagar
os vestígios palpáveis e
visíveis desse amor,
na ilusão de que ao
deletarmos palavras,
junto com elas irão as
lembranças
e as saudades, feitas
lágrimas secas
exaurindo a alma e o
espírito da vida.
Rasgamos papéis,
deletamos e-mails,
desfazemo-nos de todas
as lembranças materiais
e visíveis do sonho que
morreu, aos poucos,
- nem percebemos quando
começou a morrer! -
enganando-nos a nós
mesmos,
no pensamento de que
junto com eles
irão todos os tesouros
de amor
guardados no coração.
Quanta ilusão!
Rasgamos cartas e
bilhetes,
desfazemo-nos dos
presentes trocados,
simbolicamente
resgatando do peito
o amor plantado
firmemente no solo do
coração.
Apagar um amor que fez
morada no fundo da alma
é como navegar por um
rio sem fim.
Águas da vida que
adentram a eternidade.
Talvez um dia - quem
sabe! -
o barco do tempo
leve o amor para o outro
lado do rio...
Arapiraca (AL),
20.03.2004
(Repasse com os devidos créditos)
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Imagem:
Jean Paul Avisse -
Midi: Smoke gets in your
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Editada: 04/08/2004
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