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Luis Lêdo Motta Mello
O seu corpo vibrava em sensação
transmutado pela luz do candeeiro,
transpirava e, no ar, pairava um cheiro
de fumaça, suor e manjericão.
Quando o vento, na latada do terreiro,
empurrava os galhos do tinhorão,
imitava o prazer da minha mão
vadeando o corpo dela por inteiro.
Na janela da tapera uma chuva fina
escorria no alinhavo da cortina,
salpicando o oratório de madeira,
onde a imagem de um santo cego e mudo,
sem valor sentimental, alheio a tudo,
vigiou a velha cama a noite inteira.
(Repasse
com
os
devidos
créditos)
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Editada:12/05/2003
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