Minha cadeira está na academia
dos mortais, boêmios solitários.
Meus companheiros são membros solidários
que - como eu - decantam a boemia.
Eis o meu dodge - divinos relicários -
a prostituta, o afã da noite fria,
o violão plangente, a poesia,
e o luar, nos balcões confessionários.
Para que devo sentar junto à nobreza? ...
Tenho a alma imortal e a certeza
que os versos que escrevo são fadais! ...
Enquanto houver boêmios nesta vida,
e houver saudade, eu tenho garantida,
uma cadeira no meio dos mortais.
Luis Lêdo Motta Mello
do livro -" Simples Retalhos de Versos "